sábado, 17 de janeiro de 2015

Bodas de papel

Era simplesmente uma mulher, com coração de menina que pulsava a alegria em cada batida. Era assim: completa! Até que você apareceu. Não acredito que as pessoas completem umas às outras, pois quando já somos completos o que acrescenta transborda.

Você apareceu na minha vida como um toque de Deus, como aquela pitadinha de pimenta na comida. Veio dividir comigo meu caminhar e segurar  minha mão para me acompanhar. Me mostrou alguns atalhos. Outras vezes me levou por caminhos tortuosos que desconhecia. 

Durante toda caminhada sentia seu toque, sua presença, seu calor...

Certas vezes nossos corpos se afastavam devido ao solo rústico e cheio de pedras, porém nossas mãos não se soltavam. É como se até nossos dedos namorassem. Por mais difícil que fosse nosso caminhar, nossos dedos, assim como nossas almas não perdiam o laço. Um lacinho caprichado, bem feitinho. Posso até descrever como o vejo, assim, pequeno, amarelo com bolinhas brancas, não muito apertado...feito de um material muito resistente. 



Este laço que podemos apelidar de relacionamento. Mas até os laços crescem. Permanecem com a mesma beleza que tinham, porém amadurecem. Esta adolescência do laço podemos chamar de casamento.

Ah... o casamento!

O casamento, mas o casamento de verdade, é muito charmoso. Ele mantém a graça e a leveza de ser. Ele é lindo em sua essência. Ele, só ele é capaz de unir duas almas predestinadas para seguirem na mesma direção, rumo ao Universo, colhendo pelo caminho a felicidade nas mais simples coisas da vida...aquelas invisíveis que adoçam a alma e alimentam o ser.

Esta caminhada é possível de se fazer sozinha. Cada pessoa traz dentro de si tudo o que precisa para rumar para seu destino, mas a minha caminhada seria impossível de ser feita sem o casamento, sem o laço, mãos e dedos. O grande problema, ou melhor, a maior alegria é que dentre trilhões de pessoas no mundo há apenas dois pares de mãos que se combinam para cada caminho a ser seguido.

Coincidência do destino? Presente de Deus? Chame como quiser, mas nossos dedos se combinam, se entrelaçam, assim como nossos sentimentos e espíritos. 

Somos uma unidade vivendo em dois corpos. Somos cúmplices bem antes de qualquer documento, papel ou data marcada. Somos marido e mulher, simples assim! Não temos, apenas somos!

No dia de hoje quero externar minha gratidão por compartilhar a vida com você, assim do nosso jeitinho ímpar. 

É maravilhoso ver que usamos nossa primeira boda, a de papel para fazer um belo poema!

Sem mais...

Escrito por Francine, dedicado ao Vinicius

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